📚 A GAROTA DA CASA DE VIDRO - PARTE 4

 

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(AdvertĂȘncia: Esse texto Ă© uma continuação, se vocĂȘ estĂĄ lendo pela primeira vez, CLIQUE AQUI! e prossiga atĂ© aqui)

UMA IDEIA BRILHANTE

Nos dias seguintes, Laura trouxe todos os seus pertences para o cubĂ­culo onde estava e passou a comer, a conversar com as suas amigas e com o seu namorado ali, na frente de todos e, quando desligava alguma chamada, explicava-lhes o contexto da conversa. Ao ver que as outras começaram a fazer o mesmo, decidiu ir mais longe do que qualquer uma jĂĄ tinha ido. Pediu que instalassem um banheiro com paredes de vidro e tambĂ©m improvisassem uma cama. A partir daquele momento, moraria naquele lugar!  

Seria ali onde dormiria, tomaria banho, comeria, receberia os seus amigos e familiares... Afinal, quem teria coragem de renunciar a todo e qualquer tipo de intimidade e passaria a viver todos os momentos da sua vida em total exposição? Quem iria tão longe só para conseguir atrair a atenção de estranhos e vender coisas que não servem pra nada?

Sua vida, a partir de entĂŁo, transformara-se numa narrativa feita para vender anĂșncios com mĂșsicas bobas e coreografias provocantes. Algumas colegas tentaram imitĂĄ-la, mas nenhuma teve coragem de ir tĂŁo longe...  

— Ei, de onde vocĂȘ tirou essa ideia de fazer da sua prĂłpria vida um reality show? — perguntou a o candidata que atĂ© pouco tempo estava no topo da seleção.

Era o Ășltimo dia. Os cubĂ­culos estavam sendo desmontados e as candidatas estavam se vestindo. Depois de quase uma semana, Laura finalmente iria voltar para casa. Ao ouvir aquelas palavras, daquela que tinha sido sua maior rival, limitou-se a sorrir e a devolver o que ela tinha lhe dito no outro dia:

— O segredo Ă© a alma do negĂłcio amiga, nĂŁo lembra?  

A estranha sorriu, vendo-a sair.

- Olha quanta petulĂąncia!

Ao pegar a mochila, a estranha notou que estava aberta e viu o livro que se esquecera na outra noite. Pegou-o e viu um bilhete onde dizia:

“Leitura muito instrutiva, sĂł que existe vocĂȘ se esqueceu de uma coisa muito importante. Existe uma diferença entre saber e saber como fazer... Ass: Laura”

— Hah! Vadia!

MUDANÇAS 


— Laura... — disse a direção do shopping — vocĂȘ foi selecionada!

— AH, MEU DEUS! — gritou ela com toda a força dos seus pulmĂ”es. Ajoelhou-se e começou a chorar copiosamente. Era como se toda a sua vida a tivesse levado para aquele momento. Ficou ali ajoelhada, com o rosto no chĂŁo, chorando diante da administração do shopping e dos representantes das marcas de anunciantes por alguns minutos. Aquilo deixou todos ali meio alegres, meio constrangidos.

- Calma, calma – disse o gerente de marketing do Shopping – entendemos sua empolgação, mas... vamos, vamos... deixa eu te ajudar...

Finalmente Laura se ergueu, limpou as lĂĄgrimas do rosto e, logo que ficou de pĂ©, com as mĂŁos juntas, saudou a cada um dos homens dali dizendo: “ Obrigada! Obrigada!”  

— Na verdade — disse o gerente de marketing — somos nĂłs quem deverĂ­amos lhe agradecer. A sua iniciativa inspirou nossa equipe para uma nova campanha que conseguimos aprovar nesta manhĂŁ com todos aqui. E como vocĂȘ foi a grande idealizadora, querĂ­amos te convidar para ser a garota-propaganda. A partir do prĂłximo mĂȘs, teremos a CASA DE VIDRO 24 HORAS! Instalaremos cĂąmeras e transmitiremos vocĂȘ dentro da casa de vidro em tempo real atravĂ©s das nossas redes sociais. SĂł que, a cada semana, a casa serĂĄ tematizada com algo diferente, por exemplo: faz de conta que o tema desta semana Ă© praia... entĂŁo, todos os dias vocĂȘ vai estar usando biquĂ­nis, tangas, chapĂ©us, Ăłculos escuros, enfim... todos os produtos das nossas marcas relacionadas ao tema, explorando situaçÔes de praia, etc. Podemos atĂ© colocar uma mini-piscina e trazer outras garotas para fazer de conta que vocĂȘ estĂĄ na praia com as amigas. Outro tema pode ser... um domingo na casa dos pais... Podemos atĂ© trazer sua famĂ­lia... enfim...

— Nossa... — disse Laura com a voz embargada — eu... nĂŁo sei nem o que dizer. VocĂȘs pegaram no conceito da minha ideia e expandiram... quer dizer... eu nĂŁo sabia que a minha ideia podia se tornar num negĂłcio tĂŁo importante...

— EntĂŁo... vocĂȘ aceita? Aceita viver na nossa CASA DE VIDRO?

— Claro! É tudo com o que eu sempre sonhei!

— Ah, sim! Vamos colocar a casa de vidro bem na vitrine da frente do shopping, para que todo mundo que passe pela rua tambĂ©m possa te ver.  

Durante trĂȘs meses, Laura viveu o sonho de ser A GAROTA DA CASA DE VIDRO. Interpretava situaçÔes artificiais numa existĂȘncia imaginĂĄria, interagindo com estranhos como se fossem seus amigos, fingindo estar numa vida perfeita, enquanto era observada vinte e quatro horas por dia, tanto pelas pessoas que eram seguidoras das redes do shopping, como do perfil da GAROTA DA CASA DE VIDRO. 

Do lado de fora, pessoas amontoavam-se em frente Ă  vitrine. Todos queriam ver e acompanhar a histĂłria da GAROTA DA CASA DE VIDRO.

AtĂ© que...  

INFLUÊNCIA



                Quando ela percebeu que aquilo que estava fazendo tambĂ©m começou a influenciar outras garotas como ela?

Não sabia dizer ao certo. Tudo começou com uma vaga impressão de que algumas pessoas que passavam por ela começavam a usar os mesmos produtos que anunciava. Imediatamente, algo dentro dela lhe dizia aquelas meninas prestavam atenção em seus comerciais e desejavam ser como ela, mas logo recusou esse pensamento. Afinal, havia outras que também anunciavam as mesmas marcas, poderia ser qualquer uma.

Foi quase sem querer que, algum tempo depois de ter percebido aquilo, Laura notou o olhar daquela menina de dez anos atravĂ©s do vidro. Tinha um rostinho redondo, bochechas salientes, cabelos castanhos e cacheados. Os olhos da criança eram pequenos e o rostinho coberto de sardas.   Vestia uma blusa vermelha com linhas laterais brancas, dentro de uma jardineira jeans.

O seu olhar era cheio de admiração. A menina seguia-a com os olhos, absorvendo cada movimento, cada palavra, cada objeto que ela mostrava, cada movimento da sua coreografia. Laura sabia muito bem o que era aquele sentimento. Era o mesmo que ela tinha sentido da primeira vez, quando viu a modelo da casa de vidro fazendo exatamente o que estava fazendo agora. Laura ergueu os olhos e viu outras crianças, e garotas bem mais velhas, algumas tinham mais ou menos a sua idade. TambĂ©m tinham, homens, senhoras, velhos, todos olhando o que ela fazia com aquele olhar de ĂȘxtase e admiração.  

A multidĂŁo seguia seus movimentos como se ela fosse uma atriz interpretando uma peça de teatro. Em pouco tempo, a admiração deixou de ser apenas um olhar, mas aparecia em nĂșmeros de seguidores, cifras de vendas e em centenas de milhares de seguidores que lhe escreviam declaraçÔes de afeto nos comentĂĄrios das redes sociais.  

“Meu Deus, eu nunca pensei que as coisas chegassem tĂŁo longe em tĂŁo pouco tempo!”

Sim!

Ela era alguém que fazia a diferença na vida das pessoas.

Uma mulher fazendo coisas medĂ­ocres, que qualquer outra pessoa faz no seu dia a dia, com a diferença de que a histĂłria da sua vida nĂŁo era apenas sua, mas de todas aquelas pessoas. Parecia que tinha finalmente atingido o seu auge, mas era apenas o inĂ­cio de uma transformação que começara a ocorrer dentro dela, sem que ela mesma soubesse.  

    CONCLUI NA PRÓXIMA POSTAGEM...

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