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INFLUĂNCIA
Tudo começou com uma vaga impressão de que algumas pessoas
que passavam por ela começavam a usar os mesmos produtos que anunciava.
Imediatamente, algo dentro de si lhe dizia que as pessoas começaram a prestar
atenção em seus comerciais, mas logo recusou esse pensamento. Afinal, haviam
outras que tambĂ©m anunciavam as mesmas marcas que ela, poderia ser influĂȘncia
de qualquer um. No entanto, a quantidade de pessoas que paravam para vĂȘ-la e
que estavam usando as mesmas roupas, bolsas, sapatos que ela anunciava era
grande demais para que pudesse ignorar.
Foi quase sem querer que, algum tempo depois de ter
percebido aquilo, Laura notou o olhar daquela menina de dez anos através do
vidro. Tinha um rostinho redondo, bochechas salientes, cabelos castanhos e
cacheados. Vestia uma blusa vermelha com linhas laterais brancas, com uma
jardineira jeans. Os olhos da criança eram pequenos e o rostinho coberto de
sardas. Seu olhar cheio de ĂȘxtase e de admiração. A menina a seguia com os
olhos, absorvendo cada movimento, cada palavra, cada objeto que ela mostrava,
cada movimento da sua coreografia. Laura sabia muito bem o que era aquele
sentimento. Era o mesmo que ela havia sentido da primeira vez, quando viu
aquela modelo fazendo exatamente o que estava fazendo agora.
Logo, Laura ergueu os olhos e nĂŁo viu apenas outras
crianças, mas outras garotas que tinham mais ou menos a sua idade, homens,
senhoras. Todos a olhavam com aquele misto de admiração e inveja. A audiĂȘncia
no shopping a seguia, como se ela fosse uma atriz interpretando uma peça de
teatro. Em pouco tempo, a admiração deixou de ser apenas um olhar jubiloso, mas
aparecia em nĂșmeros de seguidores que jĂĄ estavam em centenas de milhares e nas declaraçÔes
de afeto nos comentĂĄrios das redes sociais e pĂĄginas de fĂŁs.
“Mas como? Elas gostam de mim? Meu Deus, eu nunca pensei que as coisas
chegariam tĂŁo longe em tĂŁo pouco tempo!”
Mas a consciĂȘncia de que ela havia se transformado em uma
celebridade, foi quando começou a dar entrevistas para podcasts e
programas de entrevistas.
“Sim – pensou ela – eles me amam! Eles gostam de mim de verdade! Mas
não é só isso... eles prestam atenção no que eu digo, no que eu penso! De hoje
em diante, tudo que eu fizer ou disser vai repercutir diretamente na vida de
todas essas pessoas!”
Essa certeza expressa naquele pensamento a encheu de um
jĂșbilo ainda maior do que o que sentira da primeira vez que vira aquela garota
que lhe mostrou o que poderia ser. Ela era uma pessoa importante. Uma pessoa
que fazia a diferença na vida das pessoas. Uma pessoa que havia se tornado em
uma mulher extraordinĂĄria fazendo coisas medĂocres, que qualquer mulher faz no
seu dia a dia, com a diferença de que a história da sua vida não era apenas
sua, mas de todas aquelas pessoas.
Parecia que havia finalmente atingido o seu auge, mas era
apenas o inĂcio de uma transformação que começara a ocorrer dentro dela, sem
que ela mesmo soubesse.
CONCLUSĂO NA PRĂXIMA POSTAGEM
__________________________________
As histĂłrias que vivem aqui nĂŁo pedem permissĂŁo para existir.
Elas simplesmente nascem — e buscam leitores para se completarem.
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