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O
ECO DAS PAREDES
Bom,
pelo menos nĂŁo tinha que esperar outro ĂŽnibus no terminal pra ir pra casa.
Daqui då pra seguir a pé.
“Droga,
vou chegar quase meia-noite em casa. SĂł porque eu queria estudar alguma coisa
antes de ir dormir. Melhor comer alguma coisa e...”
-
Droga – digo a mim mesmo – nĂŁo tem nada na geladeira! O salĂĄrio sĂł cai na conta
na sexta! Merda!
Olho
em volta procurando um supermercado ou uma padaria aberta, mas tudo tĂĄ fechado
e é escuro até... Sim... isso mesmo! Beleza! Då pra ver aqui as luzes do posto
de gasolina que tem no outro quarteirĂŁo. Deve ter alguma coisa que eu possa
comprar pra comer.
Dez
minutos depois estava no CAIXA da loja de conveniĂȘncias do posto, pagando no
cartĂŁo por duas caixas de comida congelada.
“Droga,
meu salĂĄrio vai ser sĂł pra pagar a fatura desse cartĂŁo! Se eu nĂŁo tirar uma boa
ponta nesse final de semana o aluguel vai ter de atrasar!”
-
Por que Ă© que a gente diz que quer ser adulto quando Ă© criança? – murmuro
comigo mesmo.
“SerĂĄ
que eles vĂŁo ficar brigando a noite toda de novo? Cara, nem consigo acreditar, Ă©
a Lourdes!”
A
primeira vez que ouvi brigarem foi na mesma noite em que reencontrei Lourdes
pela primeira vez. Tinha voltado tarde de uma corrida e tive de pagar um extra
pra um cara que tinha estacionamento particular perto da minha casa, porque nĂŁo
dava mais pra devolver o carro e nĂŁo tem garagem na vila onde eu moro. Estava
morrendo de fome, mas não tinha mais forças pra ficar de pé. As costas e as
pernas doĂam de ficar tanto tempo sentado. Deitei na cama, jogando os sapatos e
desabotoando a calça. Jå sentia o sono vir chegando quando uma pancada surda
fez tremer a parede do lado da cama.
TUM!
E
o grito que se seguiu:
-
AAAAAAAAH!
O
susto foi tĂŁo grande que caĂ da cama e o sono logo foi embora. Do lado onde era
a casa deles vinham vozes meio abafadas pela parede, onde se podiam ouvir
trechos das conversas.
“...de
conversinha na porta de casa? Tem respeito pelo teu marido nĂŁo...”
“Eu
nĂŁo sabia quem era. Nem lembrava dele, nem...”
“Tu
pensa que engana quem sua vagabunda...”
“...lha
lĂĄ como tu fala comigo que eu nĂŁo sĂł nada di...”
Barulho
de objetos quebrando.
“...panhar
pra aprender! Aprender que tu tå falando é com um homem...com teu marido... né
com esses baitola do teu colĂ©gio nĂŁo!”
“Ai
pĂĄra... PĂRA! PĂRA! PĂRA! AAAAAAAAAAH!!!!”
-
Meu Deus... ele vai matar ela!
Pego
o celular, ligo:
-
AlĂŽ, disque-denĂșncia!
-
Oi, queria fazer uma denĂșncia aqui na casa do meu vizinho... eu tĂŽ ouvindo
aqui... ele tå agredindo a mulher dele, tem como chamar alguém aqui pra prender
ele?
-
Senhor quando e onde ocorreu a agressĂŁo...
-
VocĂȘ nĂŁo tĂĄ entendendo... a agressĂŁo tĂĄ acontecendo agora... ele vai matar ela
se vocĂȘs nĂŁo chegarem lo...
-
Por favor, nos dĂȘ o seu endereço...
-
Anote aĂ...
NĂŁo
sei dizer quanto tempo depois, se foram horas ou minutos, porque cada segundo
pareceu uma eternidade, mas em algum momento pude ouvir o barulho da sirene. Batidas
na porta:
-
Aqui Ă© a polĂcia. Recebemos uma denĂșncia de agressĂŁo. Por favor, abra a porta e
venha aqui prestar esclarecimentos...
Som
de chave sendo virada, a porta abrindo e discussĂŁo entre o homem e os guardas.
SĂł quando os dois foram levados que tive coragem de cair na cama. Mesmo assim,
o sono demorou a chegar... minha cabeça reprisava os gritos... na minha mente
via a garota dos meus dias de infĂąncia.
Lourdes
tirando boas notas...
“...de
conversinha na porta de casa? Tem respeito pelo teu marido nĂŁo...”
Lourdes
se apresentando na peça da escola...
“Tu
pensa que engana quem sua vagabunda...”
Lourdes cantando em apresentação escolar:
“Ai
para... PĂRA! PĂRA! PĂRA! AAAAAAAAAAH!!!!”
-
Como ela continua com um cara desses?!
Acho
que o sol estava amanhecendo quando finalmente consegui pegar no sono. Ainda
bem que era domingo. Dormi o dia todo. Na segunda-feira pela manhĂŁ, me
surpreendi com o marido aparecendo na minha porta quando saĂa para ir ao
trabalho. Gritava. Dizia nomes feios. Me chamava de alcoviteiro. Eu tentava
dialogar, perguntava o que ele tinha contra mim, dizia que nĂŁo tinha lhe feito
nada. Ele dizia que nĂŁo me fizesse de sonso; que sabia que tinha sido eu quem
tinha falado com a polĂcia; que eu nĂŁo tinha nada que ver com a relação dos
outros... empurrava-me, avançava sobre mim, tentava me intimidar enquanto
permanecia no meu lugar tentando acalmĂĄ-lo.
De
repente ele subiu a blusa e pude ver, saindo de dentro das calças, a coronha de
um revĂłlver. Ele jĂĄ estava prestes a colocar a mĂŁo ali quando apareceram dois
ou trĂȘs conhecidos dele. Lourdes tambĂ©m apareceu e tentava acalmĂĄ-lo. Me olhava
visivelmente alterada. Haviam hematomas vermelhos no olho esquerdo e no canto
direito da boca.
-
Vai embora – disse ela – vai que eu vou falar com ele. Vai logo.
SaĂ
enquanto o seguravam e ele me dizia nomes horrĂveis.
Pensei
seriamente em nĂŁo voltar para casa naquela noite. Mal pude me concentrar nas
aulas. Peguei o Ășltimo ĂŽnibus e fiquei rezando para que ele estivesse esquecido
aquilo tudo, ou que pelo menos, jĂĄ estivesse dormindo.
“Droga...
serĂĄ que eu vou ter de deixar o imĂłvel por causa desse filho da...”
NĂŁo
aconteceu nada, nem naquela noite nem nas noites seguintes.
Aquelas
lembranças ficavam voltando Ă minha mente enquanto saĂa da loja de
conveniĂȘncias e tomava o meu caminho. Tentava agora evitar as poças e rios de
lama feitos pela chuva enquanto andava e matava os mosquitos que me picavam o
pescoço. Estava quase perto do meu quarteirão. Um misto de sentimentos
diferentes me veio quando virei a esquina e a visĂŁo da vila onde morava se
aproximava de mim. Todos os meus pensamentos terminavam com uma Ășnica e mesma
frase:
“SerĂĄ
que vai acontecer de novo?”
CONTINUA...
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