📚 UM GRITO ATRÁS DA PAREDE IV: QUANDO A PORTA FINALMENTE É ABERTA

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QUANDO A PORTA FINALMENTE É ABERTA


O caminhĂŁo estava estacionado do outro lado da rua. Tudo parecia silencioso e triste. Apenas se ouvia o barulho dos grilos e o zum-zum dos mosquitos voando em torno das luzes dos postes.

- Isso parece um cemitĂ©rio! – disse comigo mesmo.

Foi com preocupação, mas também com certo alívio que cheguei em casa. O estÎmago roncava de fome, enquanto os olhos pesavam de sono. Era horrível a sensação de fome e sono ao mesmo tempo. Observei enquanto abria a porta de casa que as luzes embaixo da porta da casa dela estavam acesas. Por outro lado, só se ouvia o barulho da televisão ligada. Parecia que não tinha ninguém e que tinham deixado o televisor aberto para afastar quem quer que tentasse entrar ali para roubar alguma coisa.

Todos esses pensamentos, entretanto, me ocorriam na periferia da mente. Tudo que mais me preocupava agora era em comer e dormir por algumas horas antes de sair para trabalhar amanhã, quer dizer... dali hå algumas horas. Na verdade, eu queria ficar em casa e estudar as matérias para as provas, mas do jeito que as coisas estavam, eu não podia deixar de sair amanhã... Quem sabe deixar para sair apenas uma parte do dia, ou então só a noite quando as viagens pagavam melhor...

Pensava essas coisas enquanto colocava a comida congelada no micro-ondas e entrava no banheiro para tomar um banho. O sinal do aparelho havia tocado antes de terminar o banho. Me enxuguei e troquei de roupa, sentindo como se meu corpo pesasse quase quinhentos quilos. Comi enquanto assistia televisĂŁo, animado com a reprise de um filme antigo que gostava de assistir quando era garoto.

“Cara porque a galera da programação nĂŁo coloca esses filmes na grade do dia, ao invĂ©s de colocar nesses horĂĄrios que ninguĂ©m vai ver? Hah! Mas o que Ă© que eu tĂŽ dizendo? Eu trabalho o dia todo, mesmo se passasse eu nĂŁo ia ter tempo de...”

Batida brusca na porta da casa do lado.

O som surdo de uma pancada, algo caindo no chĂŁo junto ao barulho de mĂłveis e vidros se partindo. Sons de gritos:

- ...ensando que eu sou o quĂȘ? Eu saio pra trabalhar e tu jĂĄ tĂĄ por ai...

- ...u nĂŁo fiz ...ada!

- ...ovo te vendo na praça...sando com o vizi... acho... ensa que ...ou sair sem ter ...inguém pra tå te...

- ...as eu nĂŁo fiz nada!

- ...apariga...morrer...ando acabar eu vou bater na casa do ĂŽto e vou...matar ele

Ele falou em matar?

Gritos...

- SOCORRO! SOCORRO!

- TÁ TRANCADA PORRA... HOJE TU NÃO ME ESCAPA...

- A FACA! A FACA! LARGA ESSA FACA CLODOALDO! QUE É QUE TU TÁ QUERENDO COM ESSA FACA NA MÃO HOMI?!

Batidas na porta e nas paredes:

- SOCORRO! SOCORRO! ALGUÉM ME AJUDA! ELE VAI ME MATAR! ELE VAI ME MATAR!

Saio correndo, mas mal coloco o pé fora de casa e a rua jå estå cheia de pessoas do lado de fora, batendo, mandando que abrissem, dizendo que haviam chamado a polícia.

- Deve de ter colocado alguma coisa pesada pra escorar a porta. Ela nĂŁo cede.

Minutos depois, arrombam a porta e o que encontram...

- Meu Deus!

Nunca vou me esquecer daquela cena...

CONCLUI NA PRÓXIMA POSTAGEM...

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